Blog · Câncer de Ovário
Tratamento do câncer de ovário: cirurgia, quimioterapia e terapias-alvo
O câncer de ovário é tratado principalmente com uma combinação de cirurgia e quimioterapia, sendo um dos cânceres ginecológicos com maior mortalidade. A maioria dos casos (cerca de 70-75%) é diagnosticada em estágio avançado, o que torna o tratamento mais desafiador.
Cirurgia
A cirurgia citorredutora (debulking) é o pilar inicial do tratamento. O objetivo é remover o máximo de tumor possível, já que a quantidade de doença residual é um dos principais fatores prognósticos.
Existem duas estratégias cirúrgicas principais:
- Cirurgia citorredutora primária (CCP): indicada para pacientes com bom perfil cirúrgico e alta probabilidade de atingir remoção com menos de 1 cm de resíduo.
- Quimioterapia neoadjuvante (NACT) seguida de cirurgia de intervalo: recomendada para pacientes com doença volumosa ou baixa chance de citorredução adequada.
A cirurgia padrão inclui histerectomia total, salpingo-ooforectomia bilateral e omentectomia.
Quimioterapia
O regime quimioterápico padrão é a combinação de carboplatina + paclitaxel, administrado por 6 ciclos. Esse esquema alcança resposta clínica em aproximadamente 80% das pacientes.
Para doença em estágio avançado, terapias de manutenção são essenciais:
- Bevacizumabe (anti-VEGF): aprovado como manutenção de primeira linha por 15 meses em doença avançada.
- Inibidores de PARP (ex: olaparibe, niraparibe): indicados principalmente para pacientes com mutação BRCA1/2 ou deficiência de recombinação homóloga (HRD).
Doença recorrente
A maioria das pacientes com doença avançada recidiva em até 3 anos. O manejo da recidiva depende da sensibilidade à platina:
- Platino-sensível (recidiva após mais de 6 meses): re-tratamento com quimioterapia à base de platina.
- Platino-resistente (recidiva em menos de 6 meses): agentes alternativos como topotecan, doxorrubicina lipossomal ou gencitabina.
Terapias emergentes
Além das opções já estabelecidas, novas abordagens estão em desenvolvimento:
- Conjugados anticorpo-droga (ADCs): entregam quimioterapia diretamente às células tumorais.
- Inibidores de checkpoint imunológico: resultados modestos como monoterapia, mas promissores em combinação.
- CAR-T e vacinas tumorais: estratégias ainda em fase experimental.
Em resumo, o tratamento do câncer de ovário é multidisciplinar e cada vez mais personalizado com base no perfil molecular do tumor — especialmente o status BRCA e HRD —, sendo o teste genético recomendado para todas as pacientes ao diagnóstico.