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Rastreamento dos cânceres: o que fazer em cada fase da vida

Nem todo câncer tem exame de rastreamento recomendado. Essa frase costuma surpreender — a maioria das pacientes espera que, pra qualquer tipo de câncer, exista um exame de rotina capaz de "pegar cedo". Não é bem assim, e entender essa diferença evita tanto o exame desnecessário quanto a falsa sensação de segurança.

Câncer de mama

No SUS, o rastreamento ativo é bienal, dos 50 aos 74 anos. Antes dos 40, a mamografia é feita sob demanda, em decisão compartilhada com o médico — não é busca ativa, mas o acesso é garantido por lei desde 2025. Na rede privada, é comum a recomendação ser anual a partir dos 40 anos, seguindo um padrão mais conservador que o oficial do SUS.

Câncer de colo do útero

Está em andamento uma mudança de método: o exame de HPV-DNA está substituindo gradualmente o Papanicolau na Atenção Primária. O novo protocolo começa aos 25 anos, com repetição a cada 5 anos se o resultado for negativo — um intervalo mais longo que o da citologia tradicional, porque o teste de HPV tem maior sensibilidade.

Câncer de ovário e de endométrio: a exceção

Aqui está o ponto que mais surpreende: nenhuma diretriz internacional recomenda rastreamento de rotina desses dois cânceres em mulheres sem risco elevado. Ultrassom transvaginal e exame de sangue (CA-125) feitos periodicamente, em mulheres assintomáticas, não reduzem mortalidade — e geram falsos positivos que levam a cirurgias desnecessárias. A exceção é a mulher com risco hereditário confirmado (mutação BRCA1/2, síndrome de Lynch), onde a vigilância mais intensa pode ser discutida individualmente com o oncologista.

Câncer colorretal

A recomendação internacional já reduziu a idade de início para 45 anos, com colonoscopia a cada 10 anos (ou exame de sangue oculto nas fezes anual como alternativa). O Brasil, porém, ainda não tem essa diretriz oficializada no SUS — o rastreamento sistemático por faixa etária, como já existe pra mama e colo do útero, ainda está em desenvolvimento em nível nacional.

Câncer de pele

Não existe um exame único considerado obrigatório pra população geral. O que a ciência recomenda é avaliação dermatológica regular, com frequência ajustada ao seu risco individual — pele clara, muitas pintas ou histórico familiar de melanoma pedem acompanhamento mais frequente que o padrão.

Câncer de pulmão

Pra quem tem carga tabágica significativa (20 anos-maço ou mais, fumante atual ou que parou há menos de 15 anos), a recomendação é tomografia de baixa dose anual, dos 50 aos 80 anos — reduz o risco de morte por câncer de pulmão em cerca de 20%. Esse rastreamento ainda não está incorporado ao SUS; hoje é oferecido principalmente na rede privada, para quem se enquadra nesse perfil de risco.

Rastreamento certo não é fazer todo exame que existe — é entender qual faz sentido pra sua idade, seu histórico e seu risco individual. Se você não sabe ao certo quais desses já estão em dia na sua rotina, essa é uma boa pergunta pra levar na próxima consulta.

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